Quase presa no estrangeiro por causa do coronavírus


Viajei para fora de Portugal quando a Covid-19 não era uma realidade no nosso País e, sem saber, apanhei o último voo para regressar.

Março foi um dos meses mais inesperados de toda a minha vida. No início desse mês, quando mal imaginávamos que esta seria a nossa realidade atual, viajei até Kuala Lumpur, na Malásia. O meu namorado estava lá a trabalhar há um mês e ia visitá-lo. Por lá, os infetados eram poucos e os números eram praticamente os mesmos desde janeiro.


Fui com algum medo, sim, mas com a consciência de que não se tratava de uma viagem de lazer. Quer dizer, era quando a planeámos. Porém, deixou de ser quando esta pandemia se apoderou do mundo. Ainda assim, sentia que tinha de ir dar força ao Francisco. E ainda bem que assim fui.


Foi a primeira vez que viajei sozinha e não foi uma viagem pequena — cerca de oito horas até ao Dubai, onde fiz uma escala de cerca de duas horas e meia, e mais oito horas até ao destino final. Foi cerca de um dia a viagem total. Mas o sorriso dele quando me viu chegar valeu cada segundo para chegar até lá. Fiz as viagens sempre com máscara de proteção e já se notava que as pessoas desconfiavam umas das outras por causa do coronavírus.


Algum tempo depois de lá estar, as coisas começaram a ficar complicadas em Portugal. Os números começaram a subir de repente e já se falava em teletrabalho e em fechar fronteiras. Reparem que quando saí de Portugal ainda andava de transportes, ia ao café e estava no meu local de trabalho.


Quando ouvimos falar na possibilidade de o País ficar em estado de emergência, tomámos a decisão de voltar. Os dois. O Francisco já não ia ficar mais um mês e eu também regressava mais cedo. Mas não foi fácil mudar o meu voo. Lá conseguimos e, sem sabermos, e com vários momentos de desespero pelo meio, apanhámos o voo. O último voo — sem sabermos que mais nenhum seria feito a partir do Dubai para Portugal.


Conto-vos esta história ao pormenor neste vídeo emocionante.


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